BUSCANDO A PAZ
Vou agora ficar alguns dias longe da Internet. Consequentemente deverei interromper, por talvez duas semanas, o contato com os leitores deste blog. Peço que me desculpem e que não me esqueçam. Mas antes disto aqui vai mais uma notinha bem interessante datada daqueles dias, distantes agora quase 70 anos.
Foi no dia 11 de outubro de 1939 que o Sunday Times inglês publicou um artigo de autoria do ex-premier britânico David Loyd George. Ali ele dizia:
O último discurso de Hitler pode servir de base para uma conferência de paz. A verdadeira guerra entre Grã-Bretanha e França de um lado e Alemanha do outro ainda não começou. Todos os povos desejam sinceramente que uma nova guerra mundial seja evitada. Porque então não se propõe uma conferência entre as principais potências mundiais, para que se faça um exame da situação. Hitler já propôs alguns pontos para discussão. Nós podemos propor os nossos. É essencial que se consiga fazer os Estados Unidos participar de uma conferência destas.
Isto bem demonstra que entre os políticos ingleses também havia gente conscienciosa, como o próprio premier de então, Neville Chamberlain. Mas eles foram inclementemente encostados ou defenestrados pelo grupo liderado por Churchill, que queria a guerra a todo preço. Mesmo assim nos próximos dias imprensa e televisão daqui e do mundo repetirão a velha falácia de ter sido a Alemanha a grande culpada, omitindo-se a responsabilidade dos demais governos no desencadeamento da II Guerra Mundial.
Acabo de receber um livro lançado agora pela RECORD com o título “A missão secreta de Rudolf Hess”. O livro tem Martin Allen como autor e aborda com riqueza de detalhes o enorme esforço feito pelo governo alemão de manter ou restabelecer a paz enquanto era tempo. É verdade que não dá para entender que um autor tão bem informado se curva aos ditames da “political correctness”, encaixando, sempre que o enrede permite, alguma observação sobre o propósito alemão de dominar o mundo. Não cheguei ao final do livro, talvez ali encontrasse a explicação de como pretenderia conseguir tal objetivo buscando constantemente a paz.
Os livros “...e a guerra continua” e “O que é verdade?” podem ser encomendados à Livraria e Editora do Chain: compraschain@gmail.com
MAIS UM REVISIONISTA
Ainda tendo em vista que estão se repetindo pela septuagésima vez os dias que antecederam à II Guerra Mundial, volto mais uma vez ao assunto.
O historiador Dr.Stefan Scheil acaba de lançar na Alemanha pela editora Duncker & Humblot um livro denominado “Churchill, Hitler e o Antisemitismo”. O forte de suas pesquisas é a política internacional dos anos 1930. Deparei com uma entrevista que este autor deu à revista DMZ, edição Nr.69 de 5-6/09 e procurarei resumi-la aos meus leitores. Ele trata especificamente dos precedentes políticos do conflito germano-polonês e ressalta que os livros de História fazem de conta que esta anterioridade não existiu. Retratam tudo como se tivesse sido um ataque unilateral puro e simples, quando de fato o dia 1. de setembro foi antecedido por meses de crise e durante a qual foi a Polônia o primeiro país a mobilizar suas forças armadas e o primeiro a expressar ameaças concretas de guerra. Retrocedendo, Scheil explica: A partir de 1938 se impuseram revisões territoriais como consequência das demarcações aleatórias traçadas em Versailles. Estados de estrutura frágil, como a Tchecoslováquia, se desfizeram. Outros apresentaram reivindicações, entre outros a Alemanha, Itália, Hungria e também a Polônia. Neste contexto não se pode esquecer que Estados Unidos e União Soviética não haviam reconhecido os tratados de 1919.
Na Polônia atuavam consistentes forças políticas que viam a existência de sua nação garantida só como grande potência, havendo para tanto necessidade de conquista de importantes áreas territoriais da Alemanha. Círculos governamentais em Varsóvia a falar em “nossa Danzig, nossa Prússia Oriental, nossa Silésia, nossa Pomerânia”. Por isso a proposta alemã de reconhecer as fronteiras atuais não encontrou qualquer respaldo. Confiavam estas forças polonesas no apoio que outras potências ocidentais podiam lhes oferecer. Winston Churchill já teria dito em 1934 que o Nacional-socialismo oferecia a oportunidade de se derrotar definitivamente a Alemanha. Na virada do ano 37/38 o embaixador polonês em Washington já informava o seu governo que lá uma guerra contra a Alemanha era coisa decidida.
Em meados da década de 30 Churchill passou a liderar uma estranha coalizão de forças conservadoras, liberais, esquerdas, cristãs e judaicas. O grupo se denominava “Focus” e tinha por objetivo incitar a Inglaterra contra o Nacional-socialismo e colocar Churchill na chefia do governo. Serviu-se de todos os meios, sejam publicitários, conchavos e falsificações. O serviço secreto inglês fez chegar ao presidente Roosevelt mapas adulterados que mostrariam planos de invasão da América do Sul pelos alemães.
A existência deste “partido da guerra” na Inglaterra era de conhecimento do governo alemão e fez com que este, depois do acordo de Munique, buscasse evitar novas áreas polêmicas. Mesmo assim aconteceu o estabelecimento do “Protetorado” na Tchecoslováquia, porque depois de Munique a Polônia e Hungria também passaram a reivindicar territórios tchecos, ao passo que a Eslováquia se declarava independente. Hitler esclareceu aos ingleses o caráter emergencial da medida e prometeu voltar atrás dentro de um acordo geral.
Realmente no verão europeu de 1939 ainda houve conversações entre os governos alemão e inglês durante as quais o premier Chamberlain se dispôs até a considerar uma anulação da garantia de apoio dada à Polônia e uma nova estrutura para as áreas coloniais. Mas Chamberlain estava sob forte pressão e não se deu continuidade aos entendimentos, apesar da extrema generosidade (segundo Chamberlain) das propostas alemãs.
Do outro lado estava a figura de Stálin. Este contava com uma guerra europeia. Era o que mais queria. Para que a Polônia arriscasse uma guerra contra a Alemanha era preciso que se sentisse segura do outro lado. Daí a renovação do pacto de não-agressão polono-soviético em fins de 1938. Stálin também não queria assustar a Alemanha entrando numa aliança com Inglaterra e França. Em lugar desta firmou pacto de não-agressão com a Alemanha, com o que complementou sua estratégia provocatória. Já Hitler entendeu este pacto como chave que abrisse as portas para um acordo idêntico com a Inglaterra, que efetivamente propôs no dia 25 de agosto de 1939.
Do exposto pode ser deduzido que o número de interessados numa guerra em 1939 não era pequeno. Uma situação repleta de contrastes, inclusive ideológicos, onde temos o capitalismo, o nacional-socialismo, o nacionalismo quase autista polonês e o stalinismo.
O entrevistado encerrou dizendo que esperava estar contribuindo para corrigir a visão simplista de hoje, que atribui à Alemanha a responsabilidade exclusiva pelo desencadeamento da II Guerra Mundial.
Os livros “...e a guerra continua” e “O que é verdade?” podem ser encomendados à Livraria e Editora do Chain: compraschain@gmail.com
DISCRIMINAÇÃO DOS ALEMÃES NA POLÔNIA
O ano de 1938 foi um ano de sofrimento para a minoria populacional alemã na Polônia. Medidas discriminadoras adotadas pelo governo desse país agravaram as tensões já existentes. Como razão destas perseguições os mandatários poloneses alegavam maus tratos que poloneses residentes na Alemanha estariam lá sofrendo. É preciso que nos lembremos que com o Tratado de Versailles em 1919 grande área territorial foi desmembrada da Alemanha e incluída na recém criada Polônia. Portanto a “minoria” alemã então incorporada à população do país vizinho era incomparavelmente mais numerosa que a minoria polonesa na Alemanha. Esta, no censo demográfico realizado em 1920 na Alemanha derrotada e humilhada, somou entre os residentes nas regiões limítrofes, 15.927 pessoas que se declararam poloneses ou descendentes. Este número caiu para 212 em maio de 1938. A divulgação destes dados acirrou ainda mais o ânimo dos poloneses, que alegavam haver uma assimilação forçada, esquecendo que a Alemanha vivia um período de euforia e bem-estar econômico.
Fundamental para o agravamento progressivo da tensão deve ter sido o receio de que Hitler viesse a reivindicar a autodeterminação do povo, prometida antes de fatídico Tratado de Versailles. Seria uma consulta popular que poderia questionar o retalhamento territorial havido. Como já acontecera no caso da Áustria e dos Sudetos na Tchecoslováquia. Este receio era insuflado por importantes órgãos da imprensa mundial liderados pelo “New York Times”. Independente das forças externas que incitavam o país contra a Alemanha, o polonês, recém libertado do jugo russo, passou a ver no alemão e no ucraniano novos opressores em potencial. Assim extrapolou em suas ações contra estas minorias. Em 1938 botou em prática um plano que proibiu alemães de serem proprietários de terra numa faixa de 30 km da fronteira*. Escolas alemãs foram fechadas. As empresas eram induzidas a não empregar força de trabalho germânica ocasionando nesta grande taxa de desemprego. Entre 1920 e 1939 cerca de um milhão de alemães deixou a Polônia.
Foi a Polônia que depois da primeira guerra instalou os primeiros campos de concentração** na Europa Central, a saber: Szezypiowo e Stralkowo que receberam perto de 16.000 alemães. Berza-Kartuska e Brest-Litowsk para 30.000 pessoas, principalmente alemães e ucranianos, mas também para adversários políticos. De março a meados de setembro de 1939 foram internados mais de 50.000 alemães em campos de concentração na Polônia.
O fato é que o povo polonês era metodicamente orientado e estimulado a ver no seu vizinho alemão um inimigo. Agia com este propósito o agrupamento chamado OZON, criado por um coronel Adam Koc. Propunha-se a criar a unidade nacional. Com objetivo idêntico operava a associação “Polônia Jovem”, esta de orientação não apenas antigermânica como também antijudaica. Some-se a tudo isto a recusa do governo polonês de participar de qualquer tipo de negociação e tem-se pronta a fórmula para desencadear um conflito armado.
Última hora: Acabo de ver no noticiário da noite que na Polônia trabalhadores da construção encontraram junto à cidade ex-alemã de Marienburg, situada na fronteira com o ex-Corredor Polonês, uma cova coletiva com 2116 corpos, principalmente mulheres e crianças, “provavelmente” alemãs, vítimas de chacina. Tiveram agora um sepultamento decente...
* - The forced war – Prof.Dr.David L.Hoggan
** - Verschwiegene Dokumente (Documentos ocultos) – ISBN 3-924309-26-4
Os livros deste autor “...e a guerra continua” e “O que é verdade?” podem ser encomendados à Livraria e Editora do Chain: compraschain@gmail.com
POLÔNIA RACISTA?
A eclosão da II Guerra Mundial há 70 anos não foi só uma decisão de governos. O Tratado de Versailles ao cabo da guerra anterior além de remanejar fronteiras na Europa Central, também misturou populações, etnias, religiões. Idiomas mudaram da noite para o dia e, obviamente, pipocavam (e eram estimulados) conflitos pontuais.
O que pouco se tem observado é o fato de ter sido grande a participação do elemento judeu na população da Polônia, país que acabara de se tornar independente da Rússia. Mesmo constituindo 8% do total de habitantes (para comparar: no Brasil é de 0,05%) este grupo aparentemente não se integrava de fato à nova nação polonesa. Em 28 de março de 1938 o embaixador americano em Varsóvia Biddle relatava que muitos judeus poloneses eram a favor de uma guerra europeia, pois acreditavam que a destruição da Polônia favoreceria a sua vida. Muitos achavam que a União Soviética era um verdadeiro paraíso em comparação com a terra na qual viviam e onde suas condições de vida pioravam constantemente. Biddle dizia ainda que o Legislativo polonês estava criando inúmeras leis antijudaicas até mesmo buscando reduzir a proporção de advogados hebreus que constituíam uma parcela de 53% do total. No mesmo mês o embaixador da Polônia Jerzy Potocki informava o secretário de estado americano Sumner Wells que o seu país desejava incrementar a emigração deste grupo populacional. Wells prometeu ajudar no seu assentamento na América do Sul (!). Uma missão especial sob ordem do Major Michal Lepecki já havia sido mandada a Madagascar para sondar a possibilidade de assentamento nesta colônia francesa de baixa densidade populacional.
Antipatia e desconfiança contra os judeus aumentavam entre os poloneses. Em 1937 o chanceler Slawoj-Skladkowski em conversa com o comissário Burckhardt da Liga das Nações se queixava dizendo que 60% dos judeus poloneses eram comunistas e que 90% dos comunistas poloneses eram judeus. O Sejm, Câmara dos Deputados, aprovou lei em 1938 que proibia o consumo de carne koscher, obrigando os judeus ortodoxos a seguir uma alimentação vegetariana.
Naqueles anos que antecederam a II Grande Guerra cerca de 575.000 judeus emigraram da Polônia e outra lei, editada em março de 1938, buscava evitar sua volta ao país estabelecendo que após cinco anos no exterior o cidadão polonês perdia sua nacionalidade, tornando-se um apátrida. Os que pretendiam voltar da Alemanha eram barrados na fronteira a custa de baionetas. Esta atitude não era nova, pois já aos tempos de Bismarck os russos, então donos da Polônia, não permitiam a volta de judeus, nem russos, nem poloneses.
Tudo isto demonstra que a política restritiva a este agrupamento étnico, racial ou religioso, adotada por Hitler na Alemanha a partir de 1935, nada tinha de exclusivo e próprio dos alemães. O fato é que este problema contribuiu em muito em aumentar a tensão entre os dois países. Desenvolveu-se um autêntico “empurra-empurra” humano na fronteira entre eles, que, de resto, envolveu também outros países. O próprio Brasil chegou a se negar a receber imigrantes judeus.
É difícil dizer se estas diferenças também influenciaram as medidas tomadas pelos dirigentes poloneses contra a expressiva minoria alemã, agora parte da população daquele país. Procurarei abordar no próximo ensaio este aspecto dos dias que antecederam o fatídico dia 1. de setembro.
toedter@uol.com.br
|
|||